BLOG DA LU RIBEIRO

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  • Luciana Ribeiro

o dia em que eu (quase) fui atropelada na i-4

Loucura ou aventura? Leia e me diga o que acha.


Das minhas lembranças de quando eu morava em Orlando, essa é uma das mais doloridas. Acho que nunca contei (desculpa, mãe!) mas eu quase morri atropelada.


Na versão resumida da história: morei em Orlando por 1 ano. Parte desse período eu passei trabalhando na Disney, parte trabalhando na cadeia Hilton de hotelaria.


Quando a gente trabalha na Disney, tudo é fácil. Eles oferecem casa, transporte, lazer, estrutura. É maravilhoso, mesmo. Diferente de quando a gente trabalha fora da Disney! Fora da Disney é mundo real, é pegar 3 ônibus de madrugada pra chegar no horário, e não ter mais entrada gratuita nos parques para os dias de folga.


Mas vamos lá, deixa eu te contar o que rolou...


Quando comecei a trabalhar no hotel, entrei fazendo o horário de 7h às 15h. Eu saia de casa lá pelas 5:30h da manhã e boa. Acontece que um dia resolveram me transferir para o horário da noite, das 15h às 23h. Tem algum hoteleiro por aí? Pois é.


Na ocasião, eu não sabia que o hotel tinha uma van que passava à meia-noite buscando os funcionários para levá-los para casa, mas eu sabia que os ônibus da minha rota não passavam depois das 23h.


Minha colega de quarto tinha carro, poderia me buscar. O taxi não custaria assim tão caro, eu poderia ir de taxi. Meu gerente sempre oferecia carona, eu poderia aceitar. Beleza! Só que não. Porque chegou o dia em que minha colega de quarto não estava em casa, eu não tinha grana para o taxi, e quando meu gerente ofereceu carona, eu fiquei com vergonha e acabei não aceitando. Sem opção, resolvi voltar à pé.

Eu fui, fiz as 2h caminhando. Só que caminhei em rodovias, porque Orlando não é uma cidade feita para pedestres. Há trechos com calçadas, mas há pontes sem acostamento. E numa dessas pontes...

Já era mais de meia-noite, estava escuro, os carros passavam com pressa, e eu ali, tentando não olhar pra baixo da mureta que ficava na altura do meu joelho. Coração disparado, eu só sabia rezar.

No fim, deu tudo certo. Cheguei exausta, claro.


Exausta e triste comigo mesma, arrasada de ter me colocado em tamanho perigo. Foi ali, naquela noite, que decidi voltar ao Brasil. Ali eu entendi que a vida valia mais, e que eu poderia recalcular a rota, buscar novos sonhos recomeçando no solo seguro.


Eu tinha nas mãos o que muita gente desejava ter, eu morava em Orlando! Logo, precisei de coragem pra entender que aquele sonho não era mais meu. Não foi fácil, mas foi a melhor decisão que tomei, e sou grata por aquela noite tão perigosa.


O que me ajudou a decidir foi justamente pensar: esse sonho ainda fazia sentido pra mim?


Diante da dúvida, recomendo que você faça o mesmo, se pergunte o que faz sentido pra você. Esquece as outras pessoas, o que elas desejam, o que elas dirão... precisa fazer sentido pra você, porque no fim das contas, você é quem vai fazer essa caminhada.


Até hoje, quando passo por aquele trecho de carro ou com meus grupos, olho pra estrada como se estivesse saudando a Luciana que passou por ali. Dou um tchau pela janela, grata pela coragem que ela teve de mudar o rumo, e volto a olhar pra frente, feliz pela trajetória que trouxe ela até aqui. Eu, no caso, uma versão ainda mais corajosa - e bem mais prudente.


A gente faz umas loucuras, né?


Um beijo,


Lu Ribeiro

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